Brasil-sil-sil-sil

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Todo mundo merece férias e eu sou aeromoça mas sou filha de Deus e também mereço voar como passageira às vezes, portanto, estou indo pro Brasil em poucas horas. Sei que vou ficar morrendo de dó dos comissários que vão operar o voo pro Brasil porque passageiro brasileiro também é mala e super incomôdo. Pedem com todo carinho pra você não sentir que estão sugando tudo, além de querer fazer socialização na galley quando o povo tá no meio do serviço.

Mas enfim, vou tentar descansar e assistir todos os filmes atrasados já que temos o melhor sistema de entertenimento a bordo.

Cuiabá aí vou eu!!!

Andressa e o Baú da Felicidade

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Ganhei nova flatmate, Andressa, brasileira, paulista "PL" (pobre loka) de Santo André. Mais uma que se rendeu a caixa de areia de Al Qusais e veio se jogar no deserto. Ela até morava bem, coitada, no meio do muvuco de Dubai, em Bur Dubai, uma coisa meio Rua 25 de Março daqui que eu adoro. O problema era a flatmate dela da Malásia que decorava a casa com Hello Kittie e que só dormia no sofá. SÓ DORMIA NO SOFÁ MEEESSSSMOOO!

Fizemos o "rézistro" desse momento emocionante quando ela recebe as chaves da casa própria junto com todos os prêmios do Baú da Felicidade, que nesse caso foi um caminhãozinho com dois paquistaneses que ela pagou pra trazer as coisas dela de um lado da cidade pro outro. Infelizmente perdemos o registro de Andressa na boléia do caminhão com os chegados pak dela.


Mas os outros tão aqui ó:



Andressa recebendo as chaves do nosso porteiro indiano


Nesse momento eu acho que dizia: "eu sei que a emoção é forte, mas não chora, Andressa."


Andressa recebendo todos os "prêmios" do seu Caminhão do Baú da Felicidade


E aos poucos eu vou redescobrindo como é dividir meu espaço com mais alguém. Já não dá mais pra dar uma de índio e andar pelada em casa. Mas em compensação, olha o "bar" aqui de casa em apenas uma semana.


Antes de Andressa

Depois de Andressa


Raio-x em Casablanca

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Acabei de chegar de Casablanca, no Marrocos e devo confessar que mudei totalmente a concepção que tinha sobre a cidade. Consegui ver uma nova Casablanca, exótica mas cosmopolita, e acima de tudo muito viva, com gente na rua, aproveitando o fim de semana. Juro que me senti dentro do filme que leva o mesmo nome e que é um dos meus favoritos.

Tudo ia bem até chegar ao aeroporto pra pegar o caminho de volta. Não comprei nada em Casablanca, porque o forte deles é cerâmica e carregar cerâmica de um lado pro outro e em bagagem de avião não é assim uma boa idéia. Todo o crew passou e eu era quase uma das últimas a passar no raio-x. O guardinha me para e pede pra eu abrir minha mala. Abriria numa boa, não ia achar nada demais mesmo, mas o problema é que minha mala está com o trinco quebrado e não levei ainda pra arrumar pra evitar a fadiga, sabe cumé? Quando chego no hotel peço pra alguém subir com um pé-de-cabra pra abrir o trinco.

Sorte que tinha um dos meus chefes que é libanês e explicou pro cara que eu precisaria de uma faca no mínimo pra abrir a mala. Ele disse que não tinha e que ia ter que abrir de qualquer jeito. O problema é que tinha uma figura mostrando no raio-x que tava meio estranha, parecia uma cenoura grande e nem eu mesma conseguia reconhecer que porra era aquela. Mas tava tranquila pois com o trinco quebrado a chance de alguém ter colocado alguma coisa lá dentro era nula.

Aí o meu chefe falou alguma coisa em árabe e o cara deixou eu passar. Depois ele me explicou que tentou livrar a minha porque pela forma mostrada no raio-x pensou que eu estava levando um vibrador na mala. Em Dubai vibrador e brinquedos sexuais são artigos proibidos mas no Marrocos provavelmente não. Na hora eu ri, mas fiquei com vergonha porque como não conseguia explicar o que era aquilo ficava aquela situação chata e tal de "será?".

Quebrei a cabeça relembrando tudo que tinha na mala e por fim descobri o mistério. Coloquei uma sapatinha e uma sandália flat juntas na mesma sacola. Nisso elas meio que mudaram de posição e se mostravam como uma figura alongada. Bom, então já sabe. Nada de dois sapatos na mesma sacola quando for viajar, pra não se passar por safadinha.

Quando fecham uma porta...

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Encontrei no blog da Carol.

E você ainda pensou que brasileiro é que não desistia nunca. É aquela história. Quando fecham uma porta na sua vida, Deus vai lá e abre uma janela. Mas se Deus tava muito ocupado e esqueceu de abrir a sua veneziana, vai lá meu filho, literalmente na cara e coragem e abra seu espaço ao sol.



Acho que ele é primo do Anish, porteiro lá do prédio da Valéria que fez a mesma coisa. Quebrou a porta de vidro automática com a testa. Deve ser primo porque Anish ou é indiano ou paquistanês, um dos dois, no máximo nepalês, como um dos seguranças aqui no meu prédio.

Sim, se em São Paulo porteiro é nordestino, aqui ou é uma das duas nacionalidades. E nunca reclame do seu porteiro aí no Brasil, assim como nunca reclame de taxistas aí, porque você não faz idéia de como são aqui. Fazem que entendem o que você fala mas estão lá sempre pra dificultar sua vida. Vê você morrendo com compras pra tirar do taxi e colocar no carrinho e não levanta um dedo pra te ajudar. Visita entrar depois das 1:30 da manhã, esquece. Só se for crew também.

Aí nego anda quer que eu ajude a colocar mala no bagageiro cheia de leite Ninho que eles comprar no Duty Free. Má nem morta!

Eu quero ir pra Lagos

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Fiquei puta da vida que eu tinha um voo pra Lagos, diga-se de passagem um dos piores, mas tava light, não tava cheio. Já tava conformada e até feliz pensando que ir pra Nigéria é coisa de uma vez na vida e só se for a trabalho porque não tem a mínima razão de ir pra lá de bobeira.

Estava lendo a briefing sheet (instruções para o crew) do voo e fiquei mais empolgada ainda. Dizia mais ou menos assim: esperar a escolta armada que vai acompanhar o ônibus, manter a porta do quarto sempre com o trinco de segurança, não dar nenhuma informação pessoal ao hotel, nem mesmo e-mail que aparentemente isso faz parte de um esquema, não conversar com pessoas desconhecidas, além de ser estritamente recomendável a não deixar o hotel em situação nenhuma... e por aí ia.

Fala se não é pra querer ir?

sábado, 10 de outubro de 2009



Um amigo meu me contou sobre uma fruta consumida principalmente na Tailândia, Singapura e Vietnan que era conhecida principalmente pelo seu cheiro, muito forte e que muita gente associava com um cheiro de banheiro fedido. Ele mesmo disse que um dia tentou experimentar um shake dessa fruta e deu dois goles e não conseguiu mais. Disse pra eu procurar em alguma das minhas viagens a um desses países e que se eu gostasse nós teríamos que rever a nossa amizade. O nome dessa fruta é "durian".

Fui perguntar pro chinês, que é minha fonte de assuntos asiáticos em geral e não para minha surpresa ele disse que não só conhecia a fruta como adorava. Sem surpresa porque asiático come de tudo e até onde sei meu chinês só não come carne de cachorro. Pois em minha última viagem a Singapura abri um espaço entre as compras pra ir buscar essa fruta.

Perguntei pro taxista e ele me disse que tinha uma feira ali por perto que eu poderia encontrar Durian. Quando cheguei na feira percebi o cheiro de longe. Juro. Na verdade descobri que o cheiro não me era estranho e que possivelmente já tinha sentido antes em Bangkok provavelmente. Não consigo descrever como cheiro de banheiro mas para mim parece mais como um cheiro de jaca salgada. Sim, jaca salgada. Se jaca doce já difícil imagina uma jaca salgada.
Eles ja vendiam cortadinho e empacotado. Pedi o rapazinho pra abrir um pra que eu pudesse cheirar e talvez provar. Ele abriu e não deu. É podre o negócio. Mas a história conta que se você conseguir passar pelo cheiro vai poder saborear uma deliciosa fruta. Ah tá! Não cima de mim não, xuxu.

Entre as milhares de multas impostas pelo governo que fazem de Singapura um dos lugares mais civilizados do mundo existe até uma contra a fruta. Durian cheira tão mal que é proibido transportar a fruta em meios de transporte coletivos em Singapura.

Foto: Wikipedia


Foto: Wikipedia


A fruta já empacotada para venda

Zurique - Suíça

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

País de primeira é outra história né...

Mas pra mim ao mesmo tempo é tão monótono, tudo funciona perfeito, sem muita emoção. Eu já descobri que eu gosto mesmo é de Ásia, é onde você junta história pra contar, como ser expulsa de clube de ping-pong show em Bangkok (já, já eu conto). E no fim das contas Europa é Europa. Essa história de que de uma pequena distância de país pra país muda muito é balela. Muda a língua, isso muda. Mas a trindade Igreja, ruazinha de pedra a casario é a mesma em qualquer país por lá. Bem chatinho pra pessoas como eu que quer mesmo é ver o oco.

A parte de que tudo funciona perfeito só é quebrada quando você senta pra comer alguma coisa em algum dos restaurantes da cidade velha. Tudo é o olho da cara. O custo de vida na Suíça é altíssimo. Tipo assim, 40CHF, quase o equivalente a U$40 por um fondue de queijo com pão. Dividimos um fondue em quatro, até porque aquilo é uma bomba calórica. Garçom paquistanês com aquela educação aprendida em Karachi. Dei centavos de gorjeta pra largar de ser idiota. Depois ele veio perguntar de onde éramos e contou que vivia lá com a família, tinha passaporte suíço, mas que queria voltar com os filhos pro paquistão. Tipo assim, com um dos melhores sistemas educacionais e ainda por cima gratuito na Suíça o cara quer levar os filhos pro Paquistão. Juro que se fosse essas crianças e meu pai me tirasse da Suíça pra me levar pro Paquistão eu dava na cara dele quando eu crescesse.

Depois disso demos um rolê em um pub, com uma concentração de homem bonito que nunca vi. Na Suíça quase todo mundo é bonito. Até os faxineiros do avião! Entre o crew com quem saí estavam dois gays. Um muito gente boa e outro um libanês mais afeminado que eu e todas as meninas daquele avião juntas. Mas jurava de pés juntos que era hetero. Um ultraje à minha inteligência. Bem vi que tava todo babado com os suíços e ainda assim tentando pagar de macho. Enfim, lembra do fondue de 40CHF? Pois é, nada bateu a shawarma (churrasquinho grego em pão árabe) criada que matou a fome por apenas 8CHF. Claro que a "biçinha" (nego assim não merece ser chamado de gay) libanesa ficou com medo de infecção intestinal e quis ir no McDonalds. É "biça" até as lombrigas.

Contabilizando tudo vi que se pegar outro voo pra Zurich eu troco fácil por um Pequim. O que deu pra ver que realmente vale a pena na Suíça é ir conhecer o campo, com aquelas montanhas todas verdes, com os alpes ao fundo, com aquelas vaquinhas do Milkbar e tirolês cantando iolerêhihi.

Ele jurou que era um autêntico suíço


A parte antiga da cidade











Cartão-postal


R$ 30 por uma caipirinha

O pontinho branco é um cisne o preto é um pato. Se fosse no Brasil nego já tinha derrubado os coitados no chumbinho



"Some people can not handle Europe"






Sean (Canadá), eu e Jaime (Brasil-sil-sil)

Manual do Passageiro Consciente - Lição N. 3

sábado, 3 de outubro de 2009

"É favor não ficar a tôa na galley"



Como eu queria um sinal desses no avião em letras vermelhas e garrafais. Pra quem não sabe, galley é a "cozinha" do avião, que pode ser lá no fundo, lá no meio ou lá na frente, depende do modelo do avião e da classe em que você esteja. Mas enfim, nem vou falar sobre as outras classes porque sei que você é pobre como eu e só viaja de econômica mesmo. Então, passageiro consciente não fica parado em pé lá se esticando, tomando seu drink ou batendo papo. Tipo assim, não sei se você percebeu mas TEM GENTE TENTANDO TRABALHAR NESSE MINÚSCULO ESPAÇO onde já não é suficiente pros comissários, imagina pra geral.


Tipo assim, sinta se livre, e eu realmente aprecio quando você vem até a galley pedir o seu drink, isso me evita andar toda a cabine pra ir te servir um copo d'agua. Mas assim que eu te der seu drink, vaza mérmão, rala peito, vira eixo. Não sei se você percebeu mas galley é um lugar meio escondidinho onde nós também constumamos fazer nossas refeições e descansar um pouco da caustrofóbica situação de dividir o mesmo ar e aquele espaço pequeno com mais 300 pessoas.


Então já sabe. "Sai daquiiiiiiiiiiiiiiii"!





"R5A, passando meu check: galley tá segura"