Dhaka - Bangladesh
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Eu sei que é maldade, mas não fui eu quem tirou a foto* Falando em malas, a empresa aqui é a pior em manejar bagagem. Você pode despachar quase 40kgs de bagagem e ainda trazer malas e sacolas sem noção a bordo, matando os comissários lá dentro. A eterna briga "comissário x agente de balcão". Aí eles trazem as famosas "Samsonites" (muito populares em voos pra Índia também) que são duras, pesadas e impossível de manejar no compartimento de bagagem. Isso quando elas não escorregam e caem na cabeça de alguém. Tipo essa aqui ó:

* Somando às Samsonites aí tem o fato de o Duty Free em Dubai parecer um supermercado. Aí eles trazem a bordo latas de Leite Ninho de 2kgs, mais latas de Tang Laranja do mesmo tamanho e juro que dessa vez vi até uma caixa de Lava-roupas Omo de 3kgs. JURO! Aí a pobre comissária aqui tenta jogar um Tetris no compartimento de bagagem com essas formas geométricas diversas e fazer isso tudo caber.
* Quando um passageiro tem o assento do meio, geralmente espera o outro levantar pra poder entrar. Eu se que você só viaja de econômica como eu e sabe do que eu estou falando. Mas nesses voo eles vão subindo em cima do outro pra entrar no assento e você começa a desesperar. Consegui me sentir como uma guarda de trânsito. Tinha que ficar com a mãozinha levantada em sinal de Pare! colocando um por um nos assentos. Eu sozinha em uma cabine inteira. Era de dar dó.
Beleza, todo mundo sentado, hora de partir. Todo mundo sentado ovas. Tem que ficar gritando toda hora pra passageiro que quer levantar justamente no momento em que o capitão está preparando pra levantar voo.
E que comece o serviço. Em todos os voos todo mundo prefere pegar o carrinho de bar já que não costuma faltar bebida ao contrário de carrinho de comida onde passageiro fica fazendo escândalo porque acabou a carne e só tem frango. Mas em Dhaka é diferente. Fugi do bar como o diabo foge da cruz já que a dinâmica do voo é diferente. Funciona mais ou menos assim.
Todo mundo pede água ou suco, no máximo uma pepsi. Mas aí vem um infeliz e pede cerveja. Depois de ver que ele conseguiu uma cerveja de graça, a fileira inteira pede cerveja e vai avisando os outros companheiros da frente. Aí você se vê desesperado no meio daquele monte de homens desesperados gritando por "beer, beer". AAAAAHHHHHHH!
Enquanto isso, no carrinho de comida, você dá o que tiver porque mesmo que queira ser gente boa é impossível ficar perguntando pra cada um o que eles querem já que ninguém entende uma palavra do que você fala.
Acaba o serviço e você senta na galley esgotada. Mas o pesadelo ainda não acabou, porque todo mundo aperta o botão pra chamar comissário por engano. Claro que não vamos lá ou vamos ficar o resto do voo pra cima e pra baixo de graça. O problema é porque esse botãozinho encontrado em cada assento faz um campainha soar na galley. Ou seja, você tem o resto do voo com uma campainha tocando sem parar no seu ouvido enquanto você tenta dar uma descançada.
E enfim chegamos a Dhaka. A primeira impressão é de um país muito pobre com um trânsito totalmente caótico. O hotel é um oasis no meio de tudo isso que te faz sentir culpada. Um passo na porta da rua e uma multidão de mães com bebes e crianças te seguem pra pedir dinheiro. Se você der um centavo a multidão aumenta e você tem que voltar pro hotel. Mas fui a outra parte da cidade, o que acredito ser mais perto do centro comercial, e deu pra andar sem muito problema. Pessoas vem pedir dinheiro mas te deixam em paz ao primeiro não. O trânsito é coisa que não existe. Uma pequena distância pode levar meia hora e andar de tuc-tuc se mostrou uma das experiências mais aterrorizantes da minha vida. Os caras são suicidas!
Ooooook, ok, depois de tudo isso devo dizer que acima de tudo, tenho um carinho especial pelo povo de Bangladesh, principalmente as mulheres. São todas muito humildes, mas sempre muito doces e mesmo sofrendo tanto, trabalhando tanto e lutando pra ter o que comer sempre abrem um sorriso.
Olha a barra no carro, a falta de faixa no asfalto, o ônibus todo batido