Jakarta - Indonesia
terça-feira, 11 de agosto de 2009
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Flores de Jakarta
Minha relação com Jakarta foi de amor e ódio. Primeiro de tudo que ficamos em um Sheraton perto do aeroporto. Uma espécie de resort, lindo. Mas o problema estava também no próprio hotel. Acontece que corre na boca pequena entre o crew aqui em Dubai que o hotel é mal-assombrado. Nega liga doente só pra não fazer voo pra Jakarta com medo de ficar no hotel.
Alguém depois me disse que isso foi boato nas indonésias só pra ninguém pegar os voos e elas terem sempre voo garantido pra casa. Vai saber né? Como nunca tinha ouvido uma história concreta sobre o assunto resolvi ir. Na verdade mesmo o que deveria ser motivo de preocupação era o fato de que há um mês atrás terroristas mandaram bomba em dois outros hoteis de luxo da cidade, o Hitz-Carlton e o Marriott. A cidade vive em constante preocupação. Para entrar nos hoteis ou nos shoppings é preciso passar por detectores de metal, abrir a bolsa. Olham até embaixo dos carros.
Chegamos no hotel a noite. A primeira impressão foi bem assustadora. O estilo indonésio, uma aparência de antigo e clássico e todo mundo com aquela idéia na cabeça sobre fantasmas. O caminho até o meu quarto era longo e meio que aberto pra um jardim. Dava pra escutar o barulho da mata ali perto e não dava pra ver nada, só escuridão. Borrei de medo e não ia sair do meu quarto aquela noite por nada nesse mundo. Qualquer barulho fazia meu coração palpitar. Preferi dormir rapidinho.
Como já é de costume, dormi com a tv ligada. Já encucada, no meio da noite ouvi voz de criança no meu quarto. Pensei comigo: fudeu! Não, não, não isso não está acontecendo comigo. Morro aqui nessa cama mas não abro o olho. Depois de um tempo parou e eu resolvi abrir o olho. Era a porcaria da tv ligada. E por mais que já tinha na idéia de que era tudo mentira assim foram os dois dias lá. Um barulho e já desesperava, um funcionário vindo do escuro e eu já pensava que estava vendo coisas. Foi tenso. Mas logo depois da primeira noite deu pra ver que era um mini-paraíso.
Resolvi ir pra cidade e fiquei um pouco impressionada. A capital é enorme, cheia de prédios administrativos, povo nas ruas, trânsito caótico, fila pra tudo, mas todo mundo tentando viver uma vida normal mesmo com o medo constante de novos ataques. A polícia age com tolerância zero. As manchetes nos jornais davam conta de um contra-ataque a uma casa em que acreditavam estar o terrorista responsável pelos ataques aos hotéis. É claro que não sobrou ninguém pra contar história e agora estavam buscando os filhos do dito-cujo pra recolher sangue e identificar o corpo por meio de exame de DNA.
No fundo Jakarta é mais uma rota de passagem para turistas rumo a Bali. Muito jovens em turmas viajando sozinhos, aquele clima bem bicho-grilo, mas sem droga nenhuma, lembrando que Indonésia tem pena de morte para tráfico de drogas, sem choro nem vela, tolerância -1.
Sheraton Bandara
A vista para o lago do hotel
As mocinhas do spa colhendo flores no jardim
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